terça-feira, 10 de abril de 2018

Roteiro de 2 dias em Bruxelas

Grand Place
Normalmente se pensa na Bélgica como um país meio sem graça. Talvez ele seja ofuscado pelos vizinhos famosos, como Holanda, Alemanha, França e Inglaterra. Engraçado que até os próprios belgas parecem concordar com isso. Conhecemos um que ficou surpreendido ao falarmos que tínhamos estado lá por 2 dias e gostaríamos de voltar. Ele não entendia o que nos fez atravessar um oceano para gastar nosso tempo na Bélgica. Explicamos que achamos as cidades lindas, que a Grand Place de Bruxelas era uma das mais bonitas do mundo, que eles tinham uma riqueza artística e cultural invejável e que só pelo chocolate e pela cerveja já valia a pena visitar o país dele. Por tudo isso, você não vai se arrepender de incluir 3 noites (ou ao menos um pit stop) em Bruxelas no seu roteiro por aquela região. Vamos ver se te convenço.

Dinheiro: Euro.

Idioma: Francês. Mas dá pra se virar bem com o inglês.

Imigração: a Bélgica faz parte do Tratado Schengen, que permite a livre circulação de pessoas na maior parte dos países membros da União Europeia independentemente da nacionalidade (Irlanda não assinou o tratado). Sendo assim, você precisa cumprir alguns requisitos apenas para entrar no primeiro país de destino, depois a circulação pela região é livre. Seguem os requisitos:
1) Não é necessário visto para turismo, mas seu passaporte tem que ter no mínimo mais 3 meses de validade contando da data de retorno ao Brasil.
2) Seguro de saúde no valor de 30.000 euros que atendam aos países que fazem parte do tratado.
3) Passagem de volta.
4) Comprovante de reserva de hospedagem.
5) E você precisa provar que tem recursos financeiros suficientes para se manter durante sua estadia. Pode ser com dinheiro em espécie, cartão de crédito ou outros.

Quando ir: para quem não gosta de frio, evite o inverno que vai de novembro a março. No resto do ano a temperatura é agradável.

Quantos dias: o ideal seriam 2 dias inteiros na cidade e mais um para visitar Bruges, que é linda. Com pouco tempo, um dia inteiro dá para conhecer o principal.

Como chegar: A melhor forma de chegar à Bruxelas é de trem. Há duas estações na cidade: Bruxelles Midi (mais afastada do centro) e Bruxelles Centrale. Se você partir de Londres, vai chegar na estação Midi. O seu bilhete do Eurostar dá direito ao trajeto até a estação Centrale. Também há uma estação de Metrô com acesso pela estação Midi e táxis na entrada. Veja qual o melhor meio de transporte para chegar ao seu hotel.

Dica: quando chegamos em Bruxelas, na estação Midi, pensamos em pegar um táxi. Não sei se era porque tinha nevado e estava muito frio, o taxista nos cobrou 3 vezes o valor normal da corrida. Decidimos enfrentar o mau tempo e pegar o Metrô. Caso você tenha alguma dúvida sobre o valor da corrida, procure o Centro de Informações Turísticas que há dentro da estação. E se você estiver fazendo apenas um pit stop, use o maleiro da estação para guardar a bagagem.

Locomoção: a melhor forma de conhecer a cidade é a pé. O Centro Histórico é pequeno e super agradável de se caminhar. Assim você também pode apreciar os desenhos que enfeitam os muros da cidade. Também há o serviço de aluguel de bicicletas em vários pontos espalhados pela cidade. Para ir aos lugares mais distantes use o metrô.


Onde ficar: pela praticidade, o melhor é ficar entre o Centro Histórico e a Estação Bruxelles-Central. Uma boa opção nessa região é a Place d’Espagne, onde há hotéis das redes Novotel, Ibis e NH. Mas se quiser algo mais charmoso, pesquise por um BB a uma distância que você possa caminhar até o Centro Histórico. Ficamos em um ótimo: BX2

Bate e volta: a linda cidadezinha de Bruges.

Chegar é fácil, pois há acesso por trem.
Para variar, a praçã é uma beleza.
A cidadezinha é cortada por canais.


Alimentação: prepare-se para engordar. Chocolate, waffle e batata frita são apenas algumas das guloseimas que você vai encontrar em toda a esquina. Li em algum lugar que eles inventaram a batata frita. Verdade ou não, eles são bons nisso. Lá ela é servida em cones de papel acompanhada de um molho à sua escolha. O waffle vem com vários tipos de recheio. E o chocolate dispensa comentários.



Cevejas
Sabe qual é a melhor cerveja do mundo? Westvleteren. Produzida por monges na Abadia de St. Sixtus de Westvleteren, na Bélgica, ocupa as primeiras colocações em sites renomados sobre o assunto. A produção é pequena e a compra super restrita, por isso ela não é encontrada em qualquer lugar. Ela é feita em três versões e não tem rótulo, você sabe o tipo pela cor da tampinha: blonde (verde), 8 (azul) e 12 (dourada). A mais apreciada pelos conhecedores de cerveja é a Westvleteren12, a que ganhou a fama de melhor do mundo.



Encontramos essa raridade por acaso em um pub meio escondido em um beco próximo à Grand Place. O Au Bon Vieux Temps é um lugar pitoresco. Todo em madeira, ambiente escuro e uma garçonete famosa pelo mau humor. Estávamos na porta pensando se devíamos entrar ou não, quando um senhor muito simpático nos convenceu dizendo que era o melhor pub da cidade.



Se era mesmo não sei, mas foi uma experiência mais autêntica que a ida ao famoso Delirium Café, marca bem conhecida no Brasil, que ficava em um grande salão com mesas de madeira. Aqui você vai encontrar um ambiente mais moderno, muitos turistas e uma boa carta de cervejas.

Compras: chocolate.



O que fazer: Coloquei no mapa as principais atrações da cidade e algumas dicas de cervejarias, lojas e restaurantes. Basta clicar nos ícones para abrir uma janela com informações do local.



Dica: Dependendo do que você queira visitar na cidade, pode valer a pena adquirir o cartão Brussels Card, que inclui entrada em museus, descontos em atrações, além de transporte público ou acesso aos ônibus Hop on Hop off. No site Visit Brussels você encontra informações detalhadas:

Centro da cidade

Roteiro a pé

Estátua do Manneken Pis

Não vá pensando encontrar algo grandioso. Ela é uma pequena estátua de bronze de um menino fazendo xixi que ornamenta uma fonte escondida em uma das esquinas do centro histórico. O engraçado é que eles vestem o “menino” em ocasiões especiais.


Após várias tentativas de roubo, a escultura original do século XVII foi levado para o Museu da Cidade (Maison de Roi), na Grand Place, onde também estão expostas suas diversas roupinhas. Cópia ou não, a escultura faz o maior sucesso com os turistas, que se expremem para conseguir uma self com a famosa figurinha.

Grand Place

Considerada por muitos a praça mais bonita da Europa. Os prédios no entorno da praça abrigavam sedes de corporações de ofícios. Parece que eles disputavam entre si para ver quem fazia o projeto mais bonito. O que visitar: Hotel de Ville (Prefeitura), onde fica o Museu da Cidade (Maison de Roi), e a Maison de Brasseurs (Museu da Cerveja). Há um centro de informações turísticas na Prefeitura.



Les Galeries Royales Saint-Hubert

Uma linda galeria coberta repleta de cafés, chocolaterias e lojas. Também serve de centro cultural com cinema, galeria de artes e teatro. http://www.grsh.be/


Cathédrale Saints-Michel-et-Gudule – Essa catedral gótica começou a ser construída no início do século XIII. É um dos prédios mais antigos da cidade. Infelizmente não tivemos tempo de visitar. Para maiores informações:  http://www.cathedralisbruxellensis.be/en/visits


Palais Royal - o Palácio Real de Bruxelas é a sede administrativa da monarquia, onde a família real trabalha.  Ele possui salas de recepção que são usadas para atividades variadas, desde reuniões oficiais até concertos. Seu lindo interior só pode ser visitado durante o verão (21 de julho até setembro). Site: https://www.monarchie.be/en/heritage/royal-palace-of-brussels

Royal Museums of Fine Arts of Belgium – na verdade é um complexo de museus de arte onde se destaca o Magritte Museum, dedicado a esse famoso artista surrealista belga. Visita imperdível para quem admira sua arte. https://www.fine-arts-museum.be/en/visit/planning-my-visit/opening-hours

Bairro de Sablon
Nesse lugar você vai encontrar a igreja Notre Dame du Sablon, um belo exemplar da arquitetura gótica, a Place du Petit Sablon, que possui um lindo jardim ornamentado com belas estátuas, e a Place du Grand Sablon, cheia de restaurantes, cafés, chocolaterias e com uma famosa feira de livros e antiguidades nos fins de semana.

Centre Belge de la Bande Dessinée - CBBD (Museu da História em Quadrinhos)

Este museu é imperdível para quem gosta desse tipo de arte. Ele conta um pouco da história em quadrinhos ao longo do tempo e mostra muitas tirinhas antigas de uma época que isso era coisa de adulto. Entre os personagens belgas mais famosos estão Tintin e os Smurfs. Endereço: CBBD - Musée Bruxelles - Rue des Sables 20 Site: https://www.comicscenter.net/en/home



Dica: a exposição está toda em francês, mas há folhetos explicativos em outros idiomas, inclusive em português. Você pode baixar do site do museu ou pedir lá mesmo.

Rota dos murais – o amor dos belgas pelas histórias em quadrinho está estampado nos muros da cidade. Você está caminhando e de repente se depara com um lindo mural. Existe até um percurso passando pelos diversos desenhos espalhados pela cidade. Você pode ver a localização dos murais no site: https://visit.brussels/fr/profile/bande-dessinee# ou comprar o mapa do Visit Brussels no Centro de Informações Turísticas que traz a rota. Caso você opte por comprar o Brussels Card, o mapa vem junto. Também dá para contratar um tour pelo roteiro.


Atomium 

Trata-se de uma estrutura gigante em forma de átomo feita para representar a Bélgica na exposição universal de 1958. Hoje ela é uma das principais atrações turísticas da cidade. Você pode visitar por dentro, onde há uma exibição permanente sobre a exposição de 1958 e outras temporárias. Na esfera mais alta fica o Panorama, que oferece uma vista de 360° da cidade. Quem gosta de design pode se interessar pelo Museu Atomium de Arte e Design (ADAM) que fica ao lado. Endereço:  Square de l'Atomium Como chegar: ele está a 5 min. de caminhada da estação de metrô Heysel / Heizel (line 6) Site: http://www.atomium.be/



Minieuropa – Próximo ao Atomium fica o parque de miniaturas Mini-Europe, que reproduz várias cidades européias. Endereço: Bruparck. Como chegar: estação de metrô Heysel / Heizel (line 6) Site: http://www.minieurope.com/en/

Parc du Cinquantenaire 



Esse parque foi construído em 1880 para abrigar uma grande feira internacional promovida pelo rei Leopoldo II em comemoração ao cinquentenário do país. Os pavilhões viraram grandes museus. Visitamos dois:

Museu Real das Forças Armadas e da História Militar – para quem gosta do tema Primeira Guerra Mundial esse museu vale muito a pena. 
A Bélgica foi um dos palcos principais da 1ª Guerra Mundial (1914 - 1918). Por isso eles têm um acervo enorme do material sobre o conflito. Tanques (armamento inventado na época), uniformes, capacetes e mesmo equipamentos de todos os exércitos que participaram, seja aliado ou do centro.   Provavelmente deve ser um dos mais completos do mundo sobre o tema.  Site: http://www.brusselsmuseums.be/fr/



Mas o seu acervo não está restrito ao conflito de 1914. Tem muita coisa interessante por lá.



Museu do Automóvel – os veículos expostos aqui representam décadas de história do automobilismo. Você vai ver desde carruagens até carros de formula 1. Os automóveis estão muito bem conservados. http://www.autoworld.be/onthaal


O acervo é enorme e completo.

E raridades também.
Como chegar: Estações de metrô Merode ou Schuman - Tram 81 83 - Bus 22 27 61 80

quinta-feira, 1 de março de 2018

Valle Nevado



Encravado nas Cordilheiras dos Andes, o Valle Nevado está cerca de  45 km de distância do centro de Santiago e a mais de 2500 metros de altitude (Santiago está 576 metros do nível do mar). É um passeio muito interessante mesmo para aqueles que não se interessam pelos esportes na neve, como é o nosso caso. Se você estiver por lá durante os meses sem neve, acredito que não valerá a pena, pois o encanto do lugar é justamente o ambiente de estação de esqui.
Quando ir: De julho a setembro é a época ideal para ver as estações nevadas. Dependendo do ano, também neva em junho e outubro. Um site legal com informações atualizadas e estatísticas sobre a previsão de neve na região é o On the snow.

Como chegar:

Carro: Se você quer ter liberdade, alugue um carro. Mas fique avisado que o caminho é estreito (em certos pontos só passa um carro) e recheado de curvas muito, mas muito, acentuadas, ou seja, quem dirige, não curte a paisagem.


 E, dependendo da época, pode haver gelo na pista.


Excursão:  Essa foi nossa opção e recomendamos. A viagem foi tranquila, não nos preocupamos com a estrada e paramos em todas as estações: Valle Nevado, El Colorado e Farellones (boa para crianças). Nosso guia foi o Maurício Stay (WhatsApp 56 9 8730 3750, www.centralvalleytours.cl), que é um chileno criado no Brasil. Fala português e inglês. Sempre disposto a ajudar, nos fez sentirmos muito seguros e satisfeitos com o passeio e o preço foi muito bom. Já indicamos para várias pessoas e só ouvimos elogios.

Shuttle: diversas empresas de turismo oferecem o transfer para o Valle Nevado. Elas te pegam no hotel, param em uma loja de aluguel de equipamento no caminho, te deixam na estação de esqui do Valle Nevado e voltam para te buscar na hora marcada. A opção mais usada por quem vai esquiar é o transfer da Ski Total, que parte da própria loja. Ela fica próxima à estação de metrô Escuela Militar (550m) e você pode alugar todo o equipamento lá mesmo. Eles saem diariamente às 8h durante a temporada de esqui. O serviço não funciona nos outros meses. Não necessita de reserva e eles levam para qualquer uma das 3 estações de esqui.

Para chegar no Valle Nevado gasta-se em torno de duas horas. O caminho passa por vias largas em uma região bonita da cidade. Pouco depois, você já avista o monte onde se localiza o Valle Nevado. Há uma parada no meio do caminho, antes da subida, em uma espécie de ponto de apoio, onde há farmácia, mercado (caso queira um lanche, água, etc) e uma loja que aluga roupas para uso na neve.


Embora fosse fim de maio, havia muita neve, pois uma nevasca tinha caído sobre os picos no dia anterior (sorte nossa), mas não vimos necessidade de locar todo o aparato oferecido (casaco, calça e botas impermeáveis). No meu caso, fui só para curtir o local, abrindo mão de praticar esportes ou mesmo brincar na neve, por isso aluguei somente calça e luvas (importantíssimo, uma vez que o gelo corta as mãos), enquanto a Susana alugou botas também (não esqueça que caso os seus pés molhem, eles podem até congelar na neve). Caso você esteja usando uma bota de couro cujo solado seja relativamente espesso, como era a minha, estará muito bem calçado.

Antes de chegar ao Valle Nevado, você passa por outras estações, destacando a Farellones. A estação de Farellones é a mais utilizada pelos chilenos nos fins de semana. Ela oferece diversas possibilidades de divertimento, como Tirolesa sobre a neve e o esqui sob bóia. 




Como havia neve, essas atividades estavam funcionando no dia. No entanto, como o movimento era fraco e o comércio local estava se preparando para os meses mais frios (julho e agosto), todo o resto estava fechado.


Chegando no Valle Nevado você percebe a diferença na estrutura. É um complexo grande onde há estacionamento (repleto de vans e ônibus de turismo, por sinal), lojinhas de equipamentos esportivos para a neve, restaurantes e hotéis. Aberto mesmo só o restaurante principal, o qual serve refeição e lanche. Você pode ficar dentro ou na varanda.




Dica: Aqui um detalhe. Estando nessa altitude (2.860m) é recomendável não abusar na alimentação, a qual deve ser leve, para uma boa digestão. Também evite bebida alcoólica. Nós não seguimos essa dica. Pedimos um prato com carne e após o almoço começamos a sentir muita dor de cabeça. Nada preocupante, pois assim que chegamos em Santiago passou. Mas acabamos não aproveitando muito o fim do passeio.

O local é bom para fotografar e mesmo caminhar na neve.




Por fim, cuidado ao caminhar no deck e escadas de madeira. Com a neve e gelo que acumulam no chão, você pode escorregar e comprometer sua viagem.

Por ser próximo a Santiago, rende um bom bate-e-volta. Para quem gosta de esquiar, melhor ficar uns dias no próprio Valle Nevado. Há várias opções de hospedagem no lugar.

Seja qual for seu objetivo, esse é um passeio imperdível (desde que haja neve). A paisagem é deslumbrante e a neve é sempre uma grande diversão.


Para mais informações acesse o site oficial do Valle Nevado.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Barcelona - Bairro Gótico e Born


Barri Gòtic e El Born fazem parte da região chamada de Cidade Velha (Ciutat Vella), que também engloba El Raval, La Barceloneta e Port Vell. Como o nome já diz, essa região guarda a parte mais antiga da cidade.

Muito pouco restou de Barcino, a colônia romana que deu origem à Barcelona. O que se vê ao caminhar pelas vielas do Bairro Gótico são construções medievais pontuadas aqui e ali por algumas obras modernistas. Isso porque a região ficou quase intacta até as obras de reformulação da cidade no século XIX, quando a muralha medieval que ali existia foi derrubada e grandes praças abertas.  Hoje a maioria dos prédios são ocupados por lojas, galerias de arte, cafés e restaurantes.

El Born fica ao lado do Bairro Gótico e sua divisa é a calle Via Laietana. Essa rua foi aberta no século XIX para conectar o bairro modernista do Eixample com o mar e acabou dividindo a parte antiga da cidade. Nele viviam mercadores, marinheiros e artesãos na Idade Média. O roteiro inclui quase todas as atrações do bairro. Digo quase porque deixamos o Palau de la Musica Catalana e o Parque de la Ciutadella (imperdíveis!) para outro dia.

Seguir um roteiro já pronto pelo emaranhado de ruas medievais é tarefa quase impossível. Nós tentamos, mas nos perdemos várias vezes. Até que eu desisti e resolvi seguir por conta própria. Minha sugestão é que você faça o mesmo. Pegue nosso roteiro apenas como sugestão e com a ajuda do Google Maps (baixe a versão off line do mapa de Barcelona no celular) ou de um bom mapa em papel trace sua rota.

Dividi o roteiro em manhã e tarde com parada para almoço no Mercado de Santa Caterina. Caso você queira ver no mapa o caminho que fizemos, basta ampliá-lo e selecionar do lado esquerdo Manhã e Tarde.

Roteiro da Manhã

Comece o roteiro pela Plaça Catalunya (Estação de metrô Pl Catalunya). 

A Plaza Catalunya é uma beleza só. Seja de dia....
...seja ao anoitecer.
Entre na Avinguda del Portal de l’Angel, uma larga rua comercial de pedestres. Ela é a principal via de entrada do Barrio Gótico.


Você vai reparar que as ruas do entorno são estreitas e a arquitetura totalmente diferente do que você viu no Eixample. Escondido em uma dessas vielas está a primeira parada do nosso roteiro.

Els 4 Gats (Carrer de Montsió, 3) – esse restaurante fica em um prédio projetado pelo arquiteto modernista Josep Puig i Cadafalch, o mesmo que construiu a  Casa Amatller no Passeio de Gràcia.  O edifício conhecido como Casa Martí foi construído em 1896.  É uma bela obra modernista com influência neogótica.  O café aberto em 1897 era muito frequentado por artistas. Entre seus fregueses estava Pablo Picasso, que teria feito sua primeira exposição de arte no local. Após um período fechado, reabriu as portas no fim dos anos 70. Vale a pena entrar para um café e conhecer seu interior.




Plaça de la Vila de Madrid  - não é das praças mais bonitas, mas guarda ruínas de uma necrópole romana dos séculos I a III.



Fonte de La Portaferrissa (Carrer de la Portaferrissa, 2) – essa fonte foi colocada no lugar onde ficava uma das portas da segunda muralha que protegia a cidade de Barcelona na época medieval. A fonte é do século XVII, mas o mural em cerâmica é de 1959.


Carrer Petritxol – uma das ruas mais charmosas do bairro. Endereço de boas galerias de arte e de tradicionais granjas (docerias). Difícil resistir às vitrines repletas de guloseimas. O lugar perfeito para provar doces típicos como o creme catalão ou o tradicional churros com chocolate. Escolhemos a Granja Dulcinéa e fomos muito bem atendidos. O ambiente é de uma confeitaria antiga e os doces estavam ótimos.


O Creme Catalão é um show a parte.

Basílica de Santa Maria del Pi (Plaça del Pi, 7) – Olhando do lado de fora parece uma igreja sem muitos atrativos. Mas se você reparar na magnífica rosácea acima do portal de entrada vai ver que não é bem assim. Construída em estilo gótico entre os séculos XIV e XV, o aspecto pesado da sólida estrutura de pedras é amenizado pela luz natural que passa pelas dezenas de vitrais coloridos espalhados pelo templo. O campanário pode ser visitado. A entrada é paga.


Detalhes incríveis do piso ao teto nessa igreja.

Plaça Nova – O legal dessa praça é a mistura entre o antigo e o moderno. De um lado estão os restos da muralha que protegia a Barcelona medieval e do outro você verá frisos de autoria de Picasso decorando a lateral do Colégio de Arquitetura.


Plaça de Sant Felip Neri – Saindo da Plaça Nova e seguindo a Carrer del Bisbe você vai ver à direita uma rua muito estreita, a Carrer de Montijuic del Bisbe. Ela vai dar nessa simpática pracinha escondida entre as ruelas do Bairro Gótico. Quando chegamos, meninos com roupa de colégio jogavam bola em frente à igreja. Uma cena cotidiana que destoava do resto das ruas abarrotadas de turistas. Só por isso já valia o desvio. Mas o que nos levou até ali foram acontecimentos tristes. As paredes da igreja que hoje servem de gol para as crianças brincarem guardam as marcas de um bombardeio que aconteceu em 1938, durante a Guerra Civil Espanhola, ordenado pelo ditador Francisco Franco. Várias pessoas que se refugiaram ali morreram. 


Marcas da Guerra Civil espanhola.
Também foi nessa praça que Gaudí foi atropelado por um bonde ao sair da missa e acabou falecendo dias depois. Hoje esses fatos não passam de história e a praça é um refúgio bem vindo da agitação do resto do bairro.

Catedral de Barcelona – Outra joia do estilo gótico catalão. Sua construção, que se estendeu do século XIII ao XV, levou 150 anos. A luz natural invade o interior através dos lindos vitrais. Além da grandiosidade do prédio e da harmonia do conjunto de arcos que sustentam o teto, o que mais me impressionou foi o coro todo talhado em madeira. Um dos mais bonitos que já vi e está bem preservado. A fachada só foi terminada no século XIX, mas seguiu o projeto original. Suas lindas torres pontiagudas ricamente decoradas compõem um belo conjunto com o portal de entrada ornamentado com figuras religiosas. Ela tem um campanário, que pode ser visitado, um claustro e um pequeno museu de arte sacra. Entrada paga. Está localizada na Placita de la Seu, que é a continuação da Plaça Nova.






Mercado de Santa Caterina (Av. de Francesc Cambó, 16) – sabe aquela história que se repete em várias cidades da Europa em que pegam uma bonita construção antiga e transformam em um charmoso mercado? É o caso desse lugar. Os arquitetos Enric Miralles y Benedetta Tagliabue foram os responsáveis pela restauração do prédio original de 1845. Eles decoraram o teto ondulado do prédio com um mosaico de peças coloridas de cerâmica. O efeito é sensacional e chama a atenção de longe.


Por dentro você vai encontrar um mercado tradicional e vários restaurantes, alguns bem informais, daqueles que servem no balcão.




Escolhemos um desses, o La Torna, e comemos um ótimo prato de frutos do mar grelhados. Sugiro que você almoce por aqui.




Roteiro da Tarde

Museu Picasso (Calle Montcada, 15-23) – atração imperdível para quem gosta do artista. Se você conhece o quadro As Meninas, de Velazquéz, vai achar interessante a série de pinturas que Picasso criou inspirado na obra original.


Centro Cultural El Born (Plaza Comercial, 12) - Ele ocupa uma belíssima construção em ferro que funcionou como mercado. Além das diversas atividades artísticas, há uma exposição permanente com os restos arqueológicos do antigo bairro que existia no lugar antes de o mercado ser construído em 1876. Entrada gratuita.



La Catedral del Mar (Plaza de Santa María, 1) – Essa igreja do século XIV é mais um ícone do estilo Gótico Catalão. Seu teto abobadado é sustentado por elegantes colunas e amplas janelas emolduram os coloridos vitrais. Pena que nem tudo é original, pois em 1936 ela sofreu um incêndio que destruiu toda a decoração interna e os vitrais das janelas mais baixas. Graças a uma restauração bem feita, ela continua encantando os visitantes e é considerada um dos templos mais bonitos de Barcelona.



Plaça del Rei – Ela abriga um conjunto de edifícios medievais e no subsolo ruínas romanas do século I aC. Um dos prédios é o Palácio Real Mayor, que já foi residência dos reis de Aragón.  Um de seus cômodos é o Salão del Tinell onde os reis católicos teriam recebido Cristovão Colombo no regresso de sua primeira viagem à América. O  Museu de História de Barcelona funciona no local. Entrada paga.



Templo de Augusto (Calle Paradís, 10) - na verdade o que restou desse templo romano foram apenas algumas colunas, que ficam nos fundos de um edifício em um beco escondido.


Pont del Bisbe – ao passar pela Carrer del Bisbe você vai se deparar com essa falsa ponte gótica que liga o Palácio de la Generalitat à Casa dels Canonges. Ela foi construída no início do século XX. O arquiteto que a projetou, Joan Rubió i Bellver, foi muito criticado na época por apresentar um projeto de reabilitação do entorno que trocava os edifícios não góticos por falsos góticos. O projeto foi recusado e como consolação deixaram ele construir a tal ponte. Um detalhe interessante é que na parte inferior há uma caveira atravessada por uma adaga que ninguém sabe o significado. Talvez um enigma deixado por Joan para seus críticos. Só sei dizer que atualmente ela é um dos principais cartões postais do Bairro Gótico.


Plaza de Sant Jaume – Nessa praça ficam dois importantes prédios do governo: o Palau de la Generalitat, sede do governo da Catalunya, e a Prefeitura de Barcelona. Ela não é o centro político da cidade por acaso. Nesse mesmo lugar ficava o Forum Romana da antiga colônia de Barcino.


Plaça Reial – estivemos nessa praça em um fim de tarde e achei o lugar muito agradável para um jantar. Ela é ampla, cercada por lindos prédios antigos e com uma fonte centro. Fica perto de Las Ramblas. Pode ser o final do seu roteiro.



A estação de metrô mais próxima é a Liceu, em Las Ramblas.